China estuda permitir mais investimento de seus cidadãos no exterior

Posted on 2722 January 2012 by FernanV in Top Stories

A China está estudando seriamente adotar medidas para facilitar que seus cidadãos invistam no exterior diretamente, como parte de seus esforços para diversificar as gigantescas reservas internacionais do país, segundo pessoas a par da questão.

Mas há grandes obstáculos para uma mudança como essa, como os temores de saída excessiva de capital motivada pela atual desaceleração da economia chinesa, alertaram as pessoas a par da questão.

Bloomberg

A Agência Estatal do Câmbio, a autoridade que fiscaliza o mercado monetário do país e é parte do banco central, estuda expandir gradualmente o limite de moeda estrangeira que os chineses podem adquirir anualmente para investir no exterior, disseram as pessoas. Os chineses só podem trocar atualmente seus yuans pelo equivalente a US$ 50.000 em moeda estrangeira para investir no exterior.

A AEC não respondeu a pedidos para comentar a questão.

Aumentar a cota cambial para pessoas físicas representaria um passo pequeno, mas significativo para abrir a conta corrente da China, controlada estritamente pelas autoridades como uma maneira de administrar o câmbio e evitar fluxos especulativos. As autoridades chinesas de regulamentação geralmente têm que aprovar qualquer volume considerável de fluxo monetário – em moeda estrangeira ou local – que entra ou sai do país.

A iniciativa surge num momento em que a moeda chinesa, antes vista como a aposta mais segura do mercado financeiro, enfrenta pressão de queda em relação ao dólar, já que investidores e empresas diminuíram suas expectativas de valorização do yuan, pois apostam que o declínio na demanda pelas exportações do país forçará Pequim a reduzir ou até paralisar a valorização da moeda para tentar evitar o crescimento do desemprego.

As oscilações recentes no câmbio do yuan, dizem muitos observadores, são um sinal de amadurecimento do mercado do país e indicam que as famílias chinesas estão mais dispostas a diversificar a renda com aplicações em moedas estrangeiras como o dólar.

A flutuação em ambos os sentidos “deve criar uma condição excelente para permitir uma abertura razoável da conta corrente”, disse num evento sexta-feira Li Daokui, consultor do Banco Popular da China, o banco central do país. “Podemos incentivar as famílias a aplicar em dólares ou comprar ativos no exterior, como ações de empresas americanas, por meio de bancos comerciais.”

Li enfatizou também a necessidade de contar com uma “válvula” para bloquear grandes fugas de capital do país caso a China relaxe suas medidas para controlar o fluxo de capital.

Os reformistas chineses esperam que a mudança na política ajude a melhorar o retorno das reservas internacionais do país – atualmente em US$ 3,2 trilhões – que hoje estão aplicadas principalmente em papéis com baixo retorno, como os títulos de dívida do Tesouro americano.

© 2011 Wall Street Journal (www.wsj.com)



FernanV

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